quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O bebê Sete-bilhões

                                            Joaquim Gonzaga Nunes
            Os jornais estamparam em primeira página a notícia do nascimento do bebê Sete-bilhões. Já sabemos que é uma menina e se chama Danica, nascida nas Filipinas, lá para os lados da Ásia, lugar que abriga um terço da população mundial. Este número é simbólico, mas incontestável, pois a probabilidade de nascer o bebê Sete-bilhões seria mesmo onde nascem mais bebês. Mesmo assim, quem duvida que o bebê Sete-bilhões não tenha nascido numa tribo indígena do Amazonas ou numa aldeia africana? Porque deve haver tribos ignotas, como deve haver muitos nascimentos não computados e muitas mortes ignoradas, eliminando as chances de o bebê Sete-bilhões não ser este.
            De qualquer forma é mais um bebê para completar esta população que já não era pequena. É mais uma boca para pedir pão. Dividir a migalha que se reparte entre os que já vivem de migalhas.  Fico imaginando que seu nome poderia virar verbete de dicionário. Danica. s.f.  Bebê Sete-bilhões, nascida nas Filipinas. S.m. e f. Que ou o que representa uma quantidade exata de sete bilhões.
            Imagino ainda que esse bebê poderia ter nascido milionário ou bilionário. Se cada habitante do planeta tivesse disponibilizado um centavo de dólar numa conta específica para o bebê, ele nasceria com setenta milhões na poupança. Os habitantes poderiam ser mais generosos, doando a cifra de um dólar, o que daria 7 bilhões. Com uma boa administração nunca passaria fome como bilhões de terráqueos. Seria uma menina nascida em berço de ouro, ou de prata, para ser mais modesto. Viajaria pelo mundo, conheceria lugares longínquos e posaria para fotos, sorrindo à beira-mar. Quando encontrasse alguém na rua, saberia tratar-se de alguém benévolo, que teria compartilhado com a sua vida abastada. Renderia homenagens e sorrindo intimamente o agradeceria.
            Entretanto, o bebê Sete-bilhões trouxe a esperança de que o mundo é populoso, porém muito espaço há nestes rincões da Terra. Que 7 bilhões representam a sorte 1 bilhão de vezes. E mesmo que este bebê não tenha sido recebido com toda pompa que deveria ter sido recebido. Que muitos habitantes da Terra vivendo uma vida de correrias e egoísmos nem saibam de sua existência, ou que já atingimos os sete bilhões de habitantes neste globo poluído, com a perspectiva de faltar água em pouco tempo, além claro de a miséria atingir cerca de um terço da população mundial, vivem sete bilhões de humanos no planeta.
            Por fim, desejo que este bebê simbolize a paz, da qual tanto necessitamos nos momentos de angústia. Que traga a luz nos momentos de desengano a todos aqueles que nasceram, nascem e nascerão anônimos, sem fotos em jornais, sem conforto; às vezes, debaixo de pontes e viadutos, portadores do estigma da desgraça que acompanha um bando de esquecidos pelo restante da população terrestre. Pessoas que não tendo pão nem um lar, perambulam pelos grandes e pequenos centros urbanos em busca de uma migalha de um generoso.

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